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A tragédia da família policial

Alguns artigos de linguagem corporal são difíceis de serem escritos, especialmente quando envolvem tragédias humanas. Para não parecer simples aproveitamento de oportunidade, muitas vezes evito comentar determinados casos.

O especialista em linguagem corporal evita “fazer previsões depois do fato ocorrido”, isto é muito fácil.

Antes de tudo, meus respeitos à família dos policiais. A polícia é a profissão mais injustiçada no Brasil, especialmente por pessoas que vivem em ar condicionado… deixa pra lá. Vamos ao artigo.

Rota

Análise da foto

Observe a face dos integrantes da família.

O que se espera de? O militar recebeu a medalha, é um grande mérito e momento de felicidade.

As partes exteriores das sobrancelhas do sargento estão caídas, as parte interiores sobem. Este tipo de angulação das sobrancelhas segundo Ekman é um dos sinais mais confiáveis na avaliação de tristeza. Ocorre mesmo quando as pessoas tentam mostrar que não estão tristes. Ainda segundo o autor, poucas pessoas conseguem fazer isto voluntariamente.

As pálpebras superiores também estão curvadas do mesmo modo que as sobrancelhas, isto reforça a tristeza.

As bochechas ligeiramente levantadas demonstram a angústia do militar.

O quadro se tristeza e angústia se completa quando observamos a dobra entre o lábio inferior e a extremidade do queixo é chamada de protuberância mentual pelos anatomistas.

A boca esboça um sorriso tímido, quase inexistente. O olhar é de resignação.

Não existe felicidade por receber a medalha. Existe algo de errado.

Na foto a mulher também não mostra sinais de felicidade, assim como o menino.

Outra observação importante é a maneira como o militar abraça a esposa e o filho:

A mão no ombro da mãe é clara indicação do gesto de apreensão.

A mão esquerda do militar não faz o gesto clássico de apreensão.

No facebook ou em sites de relacionamentos é muito fácil ver os abraços “protocolares” “entre amigos” a mão muitas vezes nem toca o ombro do outro, os dedos fazem o gesto no ar. Indica certo afastamento, pouca intimidade, vontade de não ter contatos intensos. Veja as fotos nos sites, algumas chegam a ser cômicas.

Observe que o dedo indicador está unido ao polegar, não existe a intenção de “agarrar” o filho.

As conclusões são as mais variáveis, contudo podem fornecer pistas valiosas.
Que os valorosos soldados descansem em paz.

Evidente que a foto é apenas um momento capturado e nem sempre pode e deve ser levado em conta.

Acréscimo:

Depois que escrevi este artigo, analisei diversas fotos da família. Embora em muitas fotos as pessoas façam o famoso “XXXX” para dar um sorriso. Na maioria das fotos que observei, o menino não apresenta um sorriso espontâneo.

Para analisar se o sorriso é verdadeiro do falso clique na palavra link.

Paulo Sergio de Camargo