Por que os publicitários precisam de especialistas em linguagem corporal?

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Por que os publicitários precisam de especialistas
em linguagem corporal?

Que a publicidade brasileira é uma da melhores do mundo ninguém dúvida. Que existe espaço para melhorar idem. Todavia, sem ser pretencioso, pode melhorar muito quando contratarem especialistas em linguagem corporal.
Evidente que muitos publicitários conhecem – e bem – a linguagem corporal; todavia outros ainda precisam se aplicar melhor nesta ciência. A prova disto são alguns comerciais nos quais a linguagem corporal passa longe.

Antes de continuar é bom lembrar alguns conceitos:
Muitos gestos e expressões são universais. A face de nojo, por exemplo, é reconhecida em todo o mundo e também não é ensinada. Os estudos de Paul Ekman mostraram isto há algumas décadas.
As microexpresssões são gestos que ocorrem durante cerca de ¼ de segundo e são difíceis de serem identificadas, todavia de modo intuitivo e sem saber o que está ocorrendo a espectador pode “sentir” aquilo que o seu interlocutor transmite de modo consciente ou inconsciente. Isto ocorre especialmente nas mulheres, embora não se identifique a expressão, muitos refletem sobre aquilo que a mesma causa, “gostei, não gostei, senti bem, senti mal” etc.
Desta forma se o ator não transmite credibilidade e faz os gestos corretamente, certamente isto pode ser fatal para a credibilidade da peça.

Outro dado importante é que alguns gestos também poderiam ser utilizados com mais intensidade e clareza nos comercias. Não quero com isto dizer que tal fato não ocorre, ao contrário, todavia trata-se de um recurso que precisa ser mais estudado e refinado.
Um dos mais importantes diretores de comerciais do Paraná, Rolando Mendez, diz que muitas vezes tem que solicitar ao ator para repetir a cena, pois ao afirmar algo, a cabeça balança de lado “dizendo não”. Para os especialistas em linguagem corporal trata-se de um dos mais clássicos gestos de mentira: a boca diz sim e a cabeça diz não. Evidente que a mensagem passada perde a credibilidade.
No ramo da publicidade política a linguagem corporal também pode fazer muito, embora a classe política, per si careça, de credibilidade.

Os gestos ligados à fala, também chamados de ilustradores são outros que tem alto potencial na propaganda. Os tipos mais comuns:
a) gestos ligados ao referente do falante – concretos ou abstratos;
b) gestos que indicam o relacionamento do faltante com o referente;
c) gestos que agem como pontuação visual para o discurso do falante;
d) gestos que auxiliam na regulação e na organização do diálogo entre duas
pessoas que interagem.
(Comunicação não-verbal da interação humana. Mark L. Knapp – Judith A. Hall. Ed. JSN, 1999.)

Exemplo 01
Basta observar o artigo que coloquei há tempos no site:
http://www.lingcorporal.com.br/artigos/58-analise-da-linguagem-corporal-de-sandy-lancamento-devassa

A entrevista era uma peça de propaganda com a Sandy. Em termos de linguagem corporal não foi muito convincente.

Exemplo 02
Bruno S. Silva, mostra em minúcias no seu blog o comercial feito pela atriz Carolina Dickman. Ao que parece, é evidente que nem ela acredita muito naquilo que está falando.
http://bsilvalc.blogspot.com.br/2013/04/analise-da-atriz-carolina-dickman-na.html

As mãos de Carolina também poderiam ser analisadas. Mas este é outro tema.

Exemplo 03
Veja o vídeo https://www.youtube.com/watch?v=9wOVO9ci2jQ
16 seg. Lula encolhe os ombros. A mensagem verbal é uma, mas a mensagem corporal é totalmente diferente. Encolher os ombros é um gesto de recuo, indecisão, de “não sei”, de dúvidas.
1.39 seg. A cabeça diz não.
1.36 seg. Os ombros se encolhem e a cabeça se afunda nos ombros. Chama isto do gesto do enforcado.

Com simples orientações de especialistas em linguagem corporal, as três mensagens poderiam ser passadas com mais credibilidade. Na realidade a credibilidade destas peças se apoiava no carisma dos participantes. Embora a genialidade os publicitários brasileiros seja impar, nem sempre o grande carisma pode suprir tudo.

O artigo fala sobre publicidade, mas deveria ser extendido para novelas, filmes etc. 

 

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