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Os galãs de Hollywood e a barba.

História
Em meados do início do século passado, o Exército Brasileiro regulou o uso da barba entre os seus integrantes. Os oficiais, dependendo do posto, podiam usar de bigode até a barba completa, sendo que quanto maior a hierarquia, “mais barba” o militar poderia usar.
Com o tempo e o aprimoramento da higiene, tendo em vista os longos períodos em campanha, a barba praticamente foi abolida. Digo praticamente, pois os oficiais podem usar bigodes e apenas integrantes de uma família tem o direito de utilizar a barba quando o oficial é promovido ao generalato. Trata-se de tradição que vem desde a Guerra do Paraguai.

Theópilo

Manoel Theóphilo Gaspar de Oliveira, representa a quinta geração de uma família de oficiais que desde o Império usa barba. É o único oficial superior do Exército, da Marinha e da Aeronáutica a ter o privilégio.

 

Os biólogos dizem que as barbas são características sexuais secundárias, pois não tem papel direto na reprodução da espécie humana, são exclusivas do sexo masculino. Cientistas concluíram que não existem evidências que as mulheres procuram parceiros com barba em detrimento dos sem barba em termos de seleção sexual.

Uma das primeiras funções da barba é transmitir o sinal de gênero. Mesmo a distância, concluímos qual o sexo do portador de barba. Funcionava muito bem para nossos ancestrais. É muito difícil dizer qual o sexo da criança ao nascer, exceto pela genital, basta vestir a criança para esta dificuldade se ampliar.
Na puberdade a barba começa a crescer devido a quantidade de testosterona e é um fator de diferenciação entre gêneros. Algumas pesquisas apontam a preocupação e orgulho dos meninos quando aparecem os primeiros pelos no corpo e algo de asco entre as meninas quando o mesmo ocorre. Psicólogos evolucionistas mostram que a barba é sinal de maturidade sexual. Na antiguidade, os gregos consideravam a barba como sinal de virilidade e a face lisa era sinal de efeminado.

Em termos de fisiologia a barba tem duas funções, proteger e aquecer o rosto. Alguns autores dizem que também retém o cheiro dos feromônios, ampliando a capacidade de chamamento sexual masculina. Todavia isto nem sempre é válido, pois os perfumes, sabonetes e cremes encobrem isto com certa facilidade.

O hábito de fazer a barba vem de longa data e muitas vezes passa por tempos de modismos. Desmond Morris diz que “é mais que um capricho passageiro, mesmo que não estivesse inevitavelmente presente em todas as culturas”. O autor ainda diz que além do status (homens que se barbeiam tem mais tempo para se cuidar) existem outras razões mais importantes:

A visual e a táctil.

A visual diz respeito ao homem transmitir com mais sutileza as expressões faciais.
A táctil facilita o contato entre peles e com isto potencializa bastante o ato sexual.

Evidente que entre as vantagens e desvantagens oferecidas existe sempre a possibilidade de escolha e esta oscila bastante ao longo do tempo. É certo que a barba feita passa a sensação de limpeza, enquanto a barba mal cortada transmite a imagem de sujeira, falta de asseio.
A importância de uma face asseada é capital no relacionamento, pois as mulheres passam a maior parte do tempo analisando a face masculina nos primeiros momentos de contatos.
Algumas mulheres tem verdadeiro horror ao contato com a barba, algumas dizem que se sentem literalmente espetadas. Outras, ao contrário, se dizem altamente seduzidas e excitadas por isto. As primeiras afirmam gostar de rostos lisos, infantis, quase de bebês; alguém poderia arriscar a dizer que o instinto maternal está presente em grandes doses neste caso. Em relação às outras, diriam que gostam de homens másculos, fortes; para horror das feministas, o viés da submissão estaria presente. Em parte são conjecturas. A moda, entre outros fatores, vai fazer com que o pêndulo oscile para os dois lados, todavia que no Brasil a maior quantidade de homens sem barba ainda prevalece.

Cada cultura adota posicionamentos diferentes a respeito do uso da barba. No exemplo dos militares a barba era um fator para demonstrar status social, neste caso hierárquico por assim dizer, pois somente os generais podiam ter este tipo de corte.
Em muitas culturas a barba é sinal de sabedoria e até mesmo de potencial sexual. Na mitologia ou nas religiões, figuras importantes tinham barbas: Jesus Cristo, Zeus, Thor etc. (não estou comparando Jesus)
Grandes personalidades históricas também tinham barba, como por exemplo, Lincoln.

Há alguns anos em uma de suas crônicas, o escritor Luís Fernando Veríssimo fala da barba e de como alguns jogadores, especialmente os argentinos, deixavam de fazer a barba antes dos jogos para encararem os adversários com cara de mau.

Atualmente muitos atores e artista passaram a utilizar a barba. Por incrível que possa parecer a mensagem passada é muito mais do que “sou macho, tenho bastante testosterona”.
Normalmente a barba é rala e precisa ser feita com bastante esmero e cuidado. É muito difícil ter a barba cuidada como a de alguns atores de Hollywood, sem dúvida passam a informação de status, “preciso de muito tempo e cuidados” para tê-la desta forma.
Deixar a barba “por fazer” também é uma atitude e até mesmo um estilo que muitas mulheres admiram, pois passa a mensagem que o homem controla sua vida e tem certa despreocupação.

Brad-Pitt1

É interessante observar que muitos não utilizam a barba para compor diversos personagens, talvez porque percam parte da expressividade na face.
É bem verdade que alguns atores ficam mais charmosos com o uso da barba, é o caso de Sean Connery, neste caso, além da sabedoria (fios brancos), a barba também em a função de rejuvenescer, pois encobre as rugas com muita facilidade.

 

Oscar 2013 - Melhor filme

 

Para terminar, como curiosidade: existem algumas profissões em que a barba é proibida, como por exemplo: pilotos de caça, boxeadores etc.

 

 

http://en.wikipedia.org/wiki/Beard
http://pt.wikipedia.org/wiki/Barba

http://www.terra.com.br/istoegente/143/aconteceu/index.htm