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Os interlocutores estão em pleno movimento. A face muda de lado, principalmente quando existem mais de duas pessoas conversando. A iluminação pode influir de forma decisiva na observação.Pouco tempo para perceber os movimentos localizados em determinadas partes da face.

Como as microexpressões não são simétricas na face; ou seja, quando acorrem de maneira distinta em cada lado, como, por exemplo, o movimento de sobrancelhas, ao observamos a face lateralmente; é fácil concluir que perdemos metade das microexpressões.  Com isto a avaliação da emoção fica comprometida.

Logo as circunstâncias que ocorrem ao nosso redor, luz, sombra, conversações etc.

Algumas microexpressões indicam que a pessoa tenta esconder suas verdadeiras emoções e nem sempre quer dizer que estão mentindo, como por exemplo; esconder sentimentos de tristeza para demonstrar força de vontade em situações críticas.

Os estudos pioneiros neste campo são datados de 1966 com Haggard e Isaacs. A experiência filmou pacientes e terapeutas durante as sessões de análise. A pesquisa visava procurar elementos da linguagem corporal nesta interação.

Chamaram de “micromomentary” as observações iniciais. (Haggard, E. A., & Isaacs, K. S. (1966). Micro-momentary facial expressions as indicators of ego mechanisms in psychotherapy. In L. A. Gottschalk & A. H. Auerbach (Eds.), Methods of Research in Psychotherapy (pp. 154-165). New York: Appleton-Century-Crofts.)

No ano de 1960 William fez estudos com aquilo que chamou de micromovimentos interracionais. A pesquisa mostrava os quadros 1/25 seg e se ampliou para o estudo dos microritmos entre pessoas.

O estudo de John Gottman com casais é considerado o mais importante de todos. Observando os parceiros, conclui que as relações iriam durar ou não. Além do desprezo, que considera a característica mais importante, Gottman observou mais três, defensividade, embromação (stonewalling) e crítica. Esta experiência é descrita por Malcolm Gladwell no livro Blink, a decisão num piscar de olhos; Ed. Rocco.

É certo que a maioria das pessoas não consegue observar e avaliar as microexpressões de forma idêntica. A percepção não é mesma e depende de fatores culturais, vivências, conhecimento, estudos etc. Também é correto afirmar que uma ínfima parte da população é naturalmente apta para observar microexpressões em vários graus; sem qualquer tipo de treinamento ou conhecimento.

Paul Ekman e O’Sullivan no projeto Diógenes, concluíram que poucas pessoas são hábeis para detectar que outra está mentindo. Talvez isto seja fruto de nossa evolução, pois se todos fossem capaz de identificar mentiras, certamente o nível de conflitos seria de tal monta que impediria a convivência pacífica entre as pessoas.

Atualmente a série “Lie to me”, Fox do Brasil, tem descrito situações sobre a avaliação de microexpressões.  Funciona razoavelmente como ficção. Aprender microexpressões pela série é o mesmo que tentar obter o diploma de médico assistindo “plantão médico”. Contudo é uma boa diversão. Nada mais do que isto.