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LINGUAGEM CORPORAL PARA FORÇAS DE SEGURANÇA – II parte.

                       A linguagem corporal de suspeitos.

 

Na primeira parte deste artigo fiz uma série de observações sobre a maneira de avaliar a linguagem corporal de suspeitos. Alertei e citei alguns casos em que as observações foram falhas. Nunca é demais repetir que não podemos e não devemos acusar ninguém com base em informações truncadas.

A vida real é bem mais intensa e preocupante que as séries de televisão, portanto não tente ser o Dr. Cal Lightman da série Lie to me; ele só existe na ficção.

Neste artigo vou abordar a linguagem corporal de suspeitos. Antes de tudo convém sinalizar que por mais que você observe possíveis suspeitos, muitas vezes o tempo necessário para a ação preventiva não existe. Explico melhor: o suspeito entra quase que de imediato em uma loja de conveniências e vai direto ao caixa para realizar o assalto, é impossível no tempo de dois/três segundos fazer a avaliação e tomar qualquer tipo de providências.

Nunca é demais ressaltar o cuidado que precisamos ter e as providências que vamos tomar uma vez identificado o suspeito. Cuidado fica por nossa conta, providências pelas forças de segurança.

Abaixo descreveremos alguns sinais de linguagem corporal que identificam suspeitos, todavia, volto a afirmar, a pessoa pode emitir os sinais e realmente não ser suspeito.

O uso de capuz em moletons em dias de temperatura elevada, por exemplo, é um sinal, especialmente se a pessoa estiver de óculos escuros; contudo indivíduos que tem a pela extremamente clara se protegem do sol desta maneira. Portanto, cuidado especial e dobrado.

 

Também não se atenha aos estereótipos, pessoas com tatuagens muitas vezes são apenas ”pessoas com tatuagens”, nada mais do que isto. Não se deixe envolver por sinais de religião, sexo, cor etc. A atitude é ser de total isenção.

Tenha em mente em traçar de antemão o perfil das pessoas que frequentam o lugar ou o perfil dos possíveis suspeitos. Aeroportos são lugares frequentados pelos mais variados tipos de pessoas, contudo o perfil do suspeito e as roupas que usam são importantes para a avaliação.

Os frequentadores de determinados tipos de restaurantes é outro ponto a ser focado, se bem que as ações nestes casos costumam ser rápidas e por vezes violentas. Mas pode ser que em muitos casos os assaltantes tenham frequentado antes o local para levantar os hábitos.

Estude a técnica, mas também acredite na sua intuição, em seus instintos.

 

Sinais de suspeitos em termos de linguagem corporal.

Roupas

Observe com atenção as roupas, as mesmas passam informações importantes sobre as pessoas. Evidente que existem assaltantes de bancos com ternos de grife, contudo veja o conjunto. No livro “O código Da Vinci”, o banqueiro suíço ao sair do edifício vestido de motorista com o casal protagonista é abordado pelo segurança. Ao perceber que o segurança observa o Rolex no pulso com desconfiança, diz que é falsificado e que o vende o mesmo por vinte dólares. Algumas vezes peças de roupas “deslocadas” nos dão informações importantes sobre a pessoa.

Normalmente os suspeitos escondem tatuagens com camisas ou blusas, sabem que eles serão facilmente reconhecidos por intermédios das mesmas.

Avalie a temperatura e o local e observe se as vestimentas condizem com o clima.

 

Suor ou transpiração anormal

No Rio de Janeiro um policial entrou em uma lanchonete a procura de suspeitos que acabaram de realizar um assalto. As pessoas estavam no local sentadas e não havia nada de anormal, contudo ao ver o suor escorrendo pela face de homem, de imediato fez a abordagem. Em um ambiente de ar condicionado forte a transpiração chamou a atenção. Era o criminoso procurado. Transpirar, naquele caso, indicava além do nervosismo, a agitação der ter corrido algumas quadras e depois entrado tranquilamente na lanchonete, como um cliente normal.

Pessoas por demais nervosas e ansiosas em aeroportos também são motivos de avaliações, muito embora algumas vezes isto se deva apenas ao medo de voar.

Avalie o suor na testa e ao redor dos lábios, também a maneira e a constância com é enxugado. Pessoas podem ter sudorese excessiva, ela aparece nas mãos, face e debaixo do braço.

O suor é apenas um dos indicativos de nervosismo, outros como tremores, apertar os dedos, morder objetos, apertar objetivos, malas, carrinhos de bagagens são outros indicativos. A tensão da mãe que carregava drogas era tanta que apertou demais a mão de criança que estava com ela, a mesmo gritou de dor, fato que chamou a atenção dos policiais de imediato.

Tremores nas mãos: O medo de ser pego, faz com que alguns amadores tremam as mãos durante as abordagens. Todavia que pessoas fazem o mesmo com medo quando qualquer tipo de policial chegue perto.

Somente com tempo e experiência você vai separar os tipos de pessoas com transpiração excessiva.

 

Respiração

Outro dado importante a ser observado. A respiração ofegante ou pausada, aquela que a pessoa tenta dar uma tragada de ar, indica estado de tensão, normalmente está tentando controlar suas emoções. Não temos controle do nosso sistema nervoso autônomo.

Quando alguém está sob tensão ou em situação crítica, o sistema límbico se prepara para fugir, lutar ou paralisar. Neste caso o corpo precisa de maiores doses de oxigênio, portanto passamos a respirar de modo mais intenso, o peito se infla e contrai com maior rapidez.

O sistema límbico está envolvido com as emoções, o humor e motivações. Quando ativadas, estas áreas produzem respostas autonômicas que incluem o aumento da frequência cardíaca, devido à ansiedade, a ruborização, quando embaraçado, e choro. (Reginaldo P. Silva)

Em resumo, a respiração alterada, com variações e ritmo acima do normal indica que algo não está bem e isto é passível de avaliação.

 

A capa da invisibilidade

A postura corporal do suspeito em geral normalmente apresenta aquilo que chamo da “capa da invisibilidade”. Ela resume de modo sintético todo o conjunto de ações que alguns suspeitos demonstram.

Muitos colocam roupas com capuzes e usam óculos escuros (normalmente grandes), além disto, utilizam de bonés.

O corpo se encolhe, a cabeça tende a ficar entre os ombros e o olhar é sempre para baixo. O suspeito quer se expor o menos possível, por isto restringe os movimentos, em especial os braços que ficam colocados ao corpo, as mãos nos bolsos ou junto as coxas, os cotovelos ficam colados ao corpo.

Tentam parecer o mais natural possível, o andar é afetado, em alguns o movimento de braço é artificial, parecem os braços dos bonecos de Olinda, enquanto o corpo se mexe em um ritmo, os braços estão em outro, ou seja, não são sincronizados. Alguns tentam se passar por despreocupados e balançam as pernas e braços de modo desconexos, mas ou menos como o “andar do malandro”.

Todavia isto depende muito das condições do local e tempo que vai durar a ação. Em uma lanchonete normalmente é questão de segundos; em shopping ou aeroportos o tempo de exposição certamente é maior. Certamente a experiência do suspeito é fator importante na sua forma de atuar. Quanto mais autoconfiante, menos sinais corporais podem aparecer, mas também é porta de entrada para que cometa erros e deslizes primários.

 

No próximo artigo veremos mais alguns sinais, como olhar, caminhar etc.