Escolha uma Página

Linguagem corporal durante a entrevista de emprego

 

Como em média 65% das informações passadas em uma conversa são corporais e apenas 35% verbais é fácil concluir que tanto para os entrevistadores como para o  entrevistado, a utilização da linguagem corporal pode ser fator primordial na conquista do emprego ou de uma boa entrevista.

Evidente que os recrutadores saem na frente neste processo; as empresas, em todo o mundo, treinam seus funcionários em técnicas de linguagem corporal e não verbal.

 

Contudo o processo funciona em mão dupla. Se você for o entrevistado, utilize os conhecimentos de linguagem corporal realizar uma boa entrevista.

Caso seja o entrevistador, procure reconhecer as mensagens que o candidato passa ou tenta passar, tanto consciente como inconscientemente.

 Antes de iniciar a entrevista, é bom lembrar que, como no primeiro encontro de um jovem casal, o candidato tentará mostrar apenas as facetas de sua personalidade que considera ideais para a empresa.  requentemente noto quando os candidatos citam seus supostos defeitos dando-lhes roupagem de qualidades.

Por exemplo: “sou muito exigente comigo mesmo nos prazos” ou “sou perfeccionista ao extremo”.

Normalmente existem mentiras durante os processos,  mas a maioria é identificada, até com certa facilidade. Lembre-se que segundo Robert Feldman, em uma conversa, aparecem cerca de 3 mentiras a cada dez minutos.  O nervosismo do candidato é encarado como um fato natural.

 

Observações:

Vestuário

Observe se as roupas estão condizentes com o cargo desejado. Evite cores aberrantes, decotes longos, sapatos de saltos extremamente

altos e saias curtas. Em que pese toda globalização, os piercings e as tatuagens nem sempre são aceitos na cultura de algumas empresas.

 O cabelo, tanto do homem como da mulher, deve ser discreto. A barba feita ou aparada demonstra limpeza, assim como o corte de unhas.

 

Postura

O ideal é que a postura seja a mais natural possível, com bom nível de controle, para demonstrar confiança. Mantenha o tom de voz constante e fale com convicção. Quando mentimos, as variações  aparecem e até mesmo gaguejamos. Não gesticule demasiadamente.

Apontar o dedo para o entrevistador normalmente é considerada uma atitude bastante agressiva.

Não encolha os ombros ao responder determinada pergunta, é sinal de submissão, mantenha a postura ereta ou um pouco inclinada em direção à pessoa com quem você mantém a conversação. Assinala interesse. Evite se inclinar para trás quando ouvir as perguntas. Mostra defensividade, transmite a ideia de que você não gosta daquilo que escuta.

 Não se agarre nos braços da cadeira. É outro indicativo de ansiedade, tensão e falta de segurança.

Se o entrevistador o receber de pé, permaneça de pé também. Uma  boa técnica de espelhamento é sentar-se ao mesmo tempo que o outro. Além de ser educado, vai facilitar a comunicação.

 Um sorriso natural, sem afetações, abre muitas portas. Sorrimos para aqueles que nos agradam. Mas não finja. É melhor uma face isenta do que o sorriso falso.

 

Cumprimentos

Seja direto. Não peça desculpas por estar ali. Responda ao aperto de mão de acordo com o estudado nos capítulos anteriores. Não triture as mãos femininas. Dose a força do aperto. Não use a “mão frouxa”, que em determinados estados brasileiros é interpretada como falta de sinceridade e de lealdade.

 

Dizer que as mãos devem estar limpas não é demais. Cuidado ao passar  perfumes. As pessoas costumam ter os mais diversos tipos de alergia e o seu perfume passará para elas.

Antes da entrevista, tente descobrir qual é a cultura da empresa.

 

Contato visual

Preste atenção naturalmente. Demonstre que você está atento ao outro. Não responda perguntas com outras perguntas ou resmungando um “hem, repita”.

Pesquisas revelam que o bom ouvinte, durante a maior parte do tempo, ou seja, cerca de 70%, olha no rosto do entrevistador. Portanto, faça o triângulo entre os olhos e a boca. Não olhe para a janela ou para o teto. Indica displicência e falta de interesse com aquilo que está sendo tratado.

Não fique catando fiapos imaginários na roupa ou empurrando as cutículas com a unha. Indica desinteresse pelo que ocorre ao seu redor.

 

Gestos

Os melhores gestos são os naturais. Mas, por causa do nervosismo da situação,

isso nem sempre é possível. Não cruze os braços nem se encolha ao receber as perguntas.

 

Fechamento

Ao se despedir, lembre-se que embora possa não ser contratado, você precisa ter a porta aberta para novos contatos. Portanto, cumprimente e sorria naturalmente, da mesma forma que fez quando chegou.

 

O texto completo você encontra no livro Linguagem Corporal. Técnica para aprimorar relacionamentos pessoas e profissionais. Paulo Sergio de Camargo. Ed. Ágora. 2010.