Linguagem Corporal dos Políticos – Parte III

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Linguagem Corporal dos Políticos

Gestos positivos – Parte III

Primeira Impressão

“Não existe segunda chance de se causar uma primeira boa impressão. A primeira impressão é a que fica.”

Antes de continuarmos nossa série de gestos positivos, convém ressaltar a importância da primeira impressão.

A linguagem corporal é apenas uma pequena parte da “linguagem não verbal”. Ressalto isto em minhas palestras, pois ao restringir apenas em alguns aspectos da face nossa observação, perdemos muito na avaliação final. Evidente que as expressões faciais são por demais importantes, todavia é preciso estudar o conjunto, não só ele, a situação em que ocorre.

O esquema abaixo bastante simplificado mostra a importância disto.

Muitos neurocientistas afirmam que o ser humano processa em torno de 200 impressões nos primeiros segundos de um encontro. Ao que parece muitos deles são definitivos. 

Em termos de linguagem corporal não existe uma estatística definitiva de quanto ela influencia na primeira impressão. Alguns autores falam que muitas vezes se situa em torno de 90%.

Em um estudo realizado, utilizaram diversos modelos masculinos considerados com alto padrão de beleza. As fotos dos mesmos vestidos homens de negócios foram mostradas para diversas mulheres avaliarem. As notas foram altas. Quando se vestiram com macacões de faxineiros, as avaliações foram baixas, inclusive pelas as mulheres que os pontuaram com notas altas.  Aquela velha estória de que roupa faz homem talvez tenha alguma razão.

Segundo um estudo publicado no Journal of Social and Personal Relationships, ao conhecer uma nova pessoa, em apenas 3 minutos, um indivíduo decide que tipo de relacionamento terá com o novo conhecido. (citação: Marlene Heuse em artigo no Jornal “A Gazeta do Povo- Curitiba  http://www.gazetadopovo.com.br/blog/relacionamentos/index.phtml?mes=200802)

A primeira impressão muitas vezes se trata de um processo de cognição inconsciente, ou seja, não precisamos pensar sobre isto para tomar qualquer tipo de decisão ou avaliar fatos. 

O exemplo clássico do processo de cognição inconsciente é o reconhecimento facial, basta apenas o olhar fugaz, de imediato reconhecemos as faces de determinadas pessoas.

O psicólogo Jonathan W. Schooler (http://www.psych.ucsb.edu/people/faculty/schooler/) diz que nosso lado direito do cérebro é mais apto para o reconhecimento visual e o lado esquerdo a descrição verbal. Chama de “escurecimento   verbal” (verbal overshadowing)  o predomínio do lado direito. Você pode avaliar isto facilmente ao observar uma foto da Juliana Paz ou de Dilma Rousseff. O reconhecimento é imediato, muito mais rápido e menos complicado do que entender a descrição verbal das duas. O trabalho de W. Schooler tem especial relevância nos estudos de reconhecimentos de testemunhas de crimes.

Embora não seja o mote do artigo:

As primeiras impressões são altamente levadas em conta, não só para o desenvolvimento dos relacionamentos, como para avalições mais consistentes em outras áreas.  Convém notar que a primeiras impressões são as que ficam, mas certamente podem estar erradas e você vai levar isto adiante. Nossas primeiras impressões são geradas por nossas experiências e nosso ambiente, o que significa que podemos mudar nossas primeiras impressões… mudando as experiências que compõe aquela primeiras impressões.  (Malcolm Gladwell. Blink. A decisão num piscar de olhos. Ed. Rocco)

 De acordo com os psicólogos da Universidade de Princeton Alexander Todorov e James Uleman (“The Efficiency of Binding Spontaneous Trait Inferences to Actors’ Faces)  mesmo nos casos em que nossa atenção é breve ou estamos ocupados por uma tarefa secundária, ainda assim fazemos julgamentos sobre as pessoas. Estes julgamentos parecem ser automáticos. “Essas inferências são sobre a pessoa e tem implicações específicas para a nossa representação dessa pessoa”, concluem os pesquisadores.

Como causar a primeira impressão favorável por meio da linguagem não verbal

     1. O visual

A limpeza pessoal e o asseio contam muito nos primeiros contatos. Especialmente entre as mulheres. Algumas observam desde a limpeza das mãos e unhas até as dos sapatos. Tenha em mente que limpeza e educação não são sinônimos de pobreza ou riqueza. Barba feita e cabelos alinhados nos homens são imperativos, assim como as roupas bem cuidadas. Não exagere nas cores, em qualquer parte do corpo. Gravatas com desenhos do Pato Donald e similares são crimes lesa-pátria.  Mulheres com cabelos espalhafatosos e roupas justas idem.

Em resumo: a aparência conta e muito.

 

2. Expressão facial

No artigo anterior o sorriso é considerado importante, mas a seriedade no olhar também é utilizada em larga escala. (nos próximos artigos vou falar sobre isto)

Mantenha a face relaxada, os sinais de tensão são mensagens poderosas de que algo não está indo bem.

 

3. Olhar

O olhar é um poderoso instrumento para iniciar relações.  Existem três tipos de olhares: olhar profissional – olhar afetivo – olhar sexual. Sem contar aquilo que chamo de “escaneamento pessoal”, no qual a pessoa faz uma verdadeira “varredura” dos pés até a cabeça n o outro. No próximo artigo vou descrever cada uma deles de maneira sucinta, já que estão no meu livro “Linguagem Corporal. Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. Ed. Ágora.”

Observe diretamente nos olhos do interlocutor de modo firme. Os efeitos são os melhores possíveis.

A técnica do aperto de mão será explicada nos próximos artigos.

 

 

4. Não exagere nos perfumes e no creme de mão.

O aperto de mão (veja o artigo anterior) faz com que (certo ou errado) tiremos várias conclusões sobre a pessoa, é importante não exagerar. Creme de mão em excesso é algo inaceitável para muitos. As mulheres, por sua melhor capacidade olfativa, tendem a sentir o perfume em distâncias maiores do que os homens.

 

 

5. Em Roma, aja como os romanos.

No terceiro filme da série Indiana Jones, o personagem principal diz que seu professor fala mais de 11 línguas e é especialista em várias culturas.  Relata com desdém que o mesmo vai se misturar facilmente entre os habilitantes do país e jamais o encontrarão.  Na cena seguinte o professor é mostrado caminhando em um mercado árabe (?), vestido com um terno de linho branco, estabanado com várias malas. Você não precisa se vestir como seu interlocutor, mas respeitar as diferenças e nuances cultural é importante.  Não visite uma empresa tradicional de bermudas, provavelmente irão te rejeitar.

 

 

6. A voz

Controle sua voz durante todo o tempo. De maneira consciente ou inconsciente passamos aos demais várias informações somente com o nosso tom de voz. Não grite e não se altere.  Saiba dar ênfase quando for necessário, mas sem exageros. Evite gaguejar, muitas vezes é um sinal de insegurança.  Observe as palavras que está dizendo. Não use termos chulos, você vai parecer “ignorante e mal educado”. Em principio evite termos “herméticos”, você pode não ser compreendido e passar a imagem de pedante. Lembre-se sempre de quem é o seu interlocutor, mas não “rebaixe” intensamente seu nível de vocabulário, vai parecer artificial e falso. Também não tente mostrar conhecimentos e vocabulário que não possui, é o caminho para se perder facilmente.  Falar pouco em alguns casos e observar com atenção o que os demais dizem pode elevar você a categoria de gênio.

 

 

7. Postura é tudo

Ombros erguidos e queixo paralelo ao solo enviam a mensagem de equilíbrio e energia. Não deixe os ombros caídos, assim como evite se mostrar cabisbaixo – a imagem é do derrotado.  Não tome posturas tensas: pernas abertas e braços cruzados (leão de chácara), o andar do “boneco assassino” (braços abertos e corpo balançando de forma pendular). Apontar o dedo é fatal, você não vai acusar o outro e sim deseja manter contatos, passar uma primeira boa impressão.

 

 

8. Movimentos

Evite movimentos bruscos, exagerados. Controle-os, mas também não se faça de “múmia”.  Seja o mais natural possível.

 

 

9. Seu interlocutor é a pessoa mais importante do mundo

Não desvie seu foco. Procure se centrar no interlocutor. Nem sempre isto é fácil, pois você pode estar em uma reunião de negócios. Nestes casos foque o grupo, dê importância ao líder, mas não se descuide dos demais.

 

Alguns políticos pensam que tem sua imagem consolidada e não precisam causar boa primeira impressão. Como são conhecidos na mídia acham que todas as pessoas já tem a impressão consolidada dos mesmos. Nada mais falso.

A impressão televisiva é uma e muitas vezes diferente do contato interpessoal. Já ouvi dezenas de vezes (e você também) o comentário que determinado político ou ator é muito mais bonito na televisão do que pessoalmente.  Outra comparação bastante comum que fazem das pessoas públicas é em relação à sua altura: – “nossa, na televisão ele parece mais alto, como é baixinho”.  Alguns presidentes americanos chegam a usar sapatos com palmilhas mais altas ou saltos maiores durante os debates com seus adversários.

Para encerrar:

Alex Todorov, psicólogo da Universidade de Princeton, expôs a voluntários fotos de candidatos a políticos durante um microssegundo.em 70% dos casos os participantes do estudo acertaram quais candi­datos haviam sido eleitos. (fonte: Revista Época)

Os estudos de Alex Todorov (How do people form first impressions?) são encontrados no site: http://psych.princeton.edu/psychology/research/todorov/index.php

Portanto, embora a primeira impressão seja a que vai permanecer na maioria das vezes, de certa forma podemos potencializar nosso desempenho em relação a ela. Contudo sem a “atitude” depois, isto vai ser corroído lentamente (embora possa parecer contraditório). 

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