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Linguagem Corporal

Caso Suzane Von Richthofen

Prólogo

Há alguns anos analiso esta foto em meus cursos de linguagem corporal. Evidente que é sempre temerário fazer avaliação após o ocorrido. Tanto no ramo da grafologia, linguagem corporal e outros, existem pessoas que “fazem previsões” depois do ocorrido. Assim fica fácil, muito fácil.

Esta foto saiu nos jornais logos após o assassinato dos pais de Suzane. Quando analisei, em nenhum momento fiz qualquer tipo de afirmação que ela era a assassina. Longe disto. Contudo ao observar e analisar a foto, a conclusão foi a seguinte:

– Esta menina deve ter algum problema sério. Muito sério.

Na realidade conversando com um amigo meu, o que disse foi parecido, mas com um palavrão incluso.

Em termos de investigação policial a foto é bem chamativa e deve ter levantado várias suspeitas.

 

Suzane01

Vamos a análise da foto:

Suzane Von Richthofen

Vestuário

Chama atenção a “falta de roupa”. Ela se veste como se fosse a um shopping center. Na maioria das culturas ocidentais, quando morre alguém da família, a pessoa quase de maneira inconsciente se “encolhe”, “se cobre de luto” é a expressão usada.

Observe que os braços e a barriga estão totalmente descobertos.

Para antropólogos como Desmond Morris, a barriga da mulher sempre foi uma região tabu, não apenas por ser uma zona erógena por si só, mas pelo fato de estar intimamente relacionada com as genitais. Roupas que expõem a barriga atraem o olhar para a região genital. (A Mulher nua. Editora Globo)

Para muitos, quanto mais se expõe o corpo, mas vulgaridade existe. Observe que ela expõe o umbigo.

 

Ombros

Os ombros estão desequilibrados, o da direita erguido, mas não demonstram postura de desânimo. Compare com os do irmão ao lado, ligeiramente curvado. As mãos no bolso mostram atitude de defesa, recolhimento e até mesmo insegurança.

 

Face

O fato que mais me intrigou foi quando observei as faces.

A pergunta inicial que o especialista em linguagem corporal deve fazer é a seguinte:

– O que se espera de?

Trata-se de uma frase resumo. O que se espera de uma filha cujos pais tenham sido mortos de maneira brutal?

– Tristeza, raiva, dor, revolta etc.

Observando o canto da boca e os olhos não se vê tristeza. Na tristeza os cantos da boca ficam caídos, assim como as partes exteriores das sobrancelhas.

Foque sua atenção nos olhos e lábios do irmão. Tranquilamente vemos tristeza. Não somente no olhar, mas também no queixo ligeiramente caído. (tenha em mente que a foto é estática e sempre estamos sujeitos a erros básicos)

As sobrancelhas dela estão erguidas, os olhos estão bem mais abertos que os do irmão. O sinal de tristeza não aparece na face. O que se nota é um semblante de medo.

A boca um pouco aberta poderia indicar surpresa, contudo o fato já aconteceu há tempo e a surpresa é uma emoção fugaz, ou seja, que desaparece rapidamente, não dura mais que alguns segundos.

Analisando a foto, intrigou-me bastante quanto lembrei:

De acordo com Ekman, “as expressões faciais quando estamos preocupados com um dano eminente, ou apavorados, se a ameaça é muito séria, notifica os outros que a ameaça está à espreita, e os previne ou convoca para ajudar ou enfrentar o dano”.

Porque isto ocorria com Suzane? É claro que existe a preocupação, mas será que existia ameaça (dos criminosos) muito séria? Mas se fosse isto, estaria sobre proteção da polícia, em outras fotos haveria a tristeza evidente, o que não foi o caso.

Ou seja, estava avaliando a motivação do medo.

Todavia, apesar de todas as desconfianças levantadas, inclusive pelo fato de meu amigo ser policial (antes de ir, ele disse: é preciso investigar mais); acabamos o café, fechei o jornal e seguimos a vida adiante.

Sem antes comentar:

– Quem é a outra p… loca à direita de gravata. Porque a expressão clássica de culpa? Olhos abaixados, lábios cerrados com pressão etc.

– Camargo, deixa pra lá! Quando a polícia pegar os criminosos, vamos saber.

 

Interessante notar que não existe culpa na face da Suzane, inclusive muito depois do ocorrido. Nos dias de hoje não se tem fotos dela, portanto é difícil dizer algo. Lembre-se de qual tipo de pessoa não sente culpa por atos abomináveis.