Entrevista tvi24 – Portugal

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Tal como em «Lie to me», polícias detectam mentiras só pela linguagem corporal

Especialista explica a importância da linguagem não-verbal e da mentira

Por: Catarina Pereira |  02- 08- 2010  18: 33

http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/lie-to-me-mentiras-crime-tvi24/1181948-4071.htm

 

Lie to me

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Cal Lightman só precisa de olhar com atenção para saber se o suspeito está a mentir ou a dizer a verdade. Falamos da personagem de Tim Roth em «Lie to me», a série recentemente chegada ao nosso país que leva para a ficção um trabalho desenvolvido há vários anos por psicólogos e especialistas em linguagem corporal.

É o caso de Paulo Sérgio de Camargo, que este ano lançou a obra «Linguagem corporal», da Summus Editorial, no Brasil. Entrevistado pelo tvi24.pt, o especialista revela que a média de mensagens não-verbais numa sociedade é de 65 por cento, portanto, a maioria. «Mas em muitos casos chega aos 90 por cento», avisa.

«No Brasil, muitos polícias utilizam a técnica para interrogar suspeitos, mas não é considerado como prova. Contudo, é um poderoso instrumento de investigação, já que normalmente leva a pistas para desvendar o crime», afirma. Nos seus estudos, diz mesmo que os especialistas em detectar mentiras acertam 70 por cento vezes mais do que os que não têm conhecimentos sobre estes assuntos.

Tal como na série televisiva, é possível detectar mentiras só pela linguagem corporal. «A processar uma pergunta, o córtex pré-frontal encontra a resposta verdadeira com facilidade. Contudo, ao mentir, o córtex cingulado anterior entra em acção, dizendo: “Não é isto, não é verdade”», explica Paulo Sérgio de Camargo.

Com o corpo a «entrar em conflito», «a mentira aparece de diversas maneiras, principalmente na face, por meio de micro expressões». «Existem dezenas de sinais de mentira. A pessoa olha para cima e à direita, um dos ombros mexe-se de maneira imperceptível, a voz tende a variar, o movimento das mãos diminui…», exemplifica.

Foi o caso de Bruno, o suspeito de ter mandado matar a amante num crime que está a chocar o Brasil, cujo interrogatório o especialista analisou atentamente e concluiu que o guarda-redes estava a mentir.

Também como na ficção, mas desta vez mais ao estilo de «House», Paulo Sérgio de Camargo escreve: «Todos nós mentimos.». «Mentir é um acto social que ameniza conflitos. Alguns psicólogos dizem que a mentira é sinal de uma sociedade evoluída», acrescenta ao tvi24.pt.

E dá mesmo um exemplo: «Faz parte da boa educação dizer que a comida oferecida pelo anfitrião é boa, mesmo que esteja horrível.» Daí que, segundo os seus estudos de décadas, mentimos a cada 20 minutos e ouvimos cerca de duzentas mentiras todos os dias.

«A mentira faz parte da evolução do ser humano. Todos mentimos, sem excepções. Todavia, a mentira tem aspectos muitos negativos quando causa prejuízo aos demais. A mentira como amortecedor de conflitos deve ser considera com instrumento de relações sociais. A verdade completa nem sempre é desejada, inclusive por quem recebe a mentira», reforça.

Por isso, desde pequenos que somos ensinados a mentir. E tudo começa com os nossos pais. Quando nos mandam afirmar ao telefone «diz que eu não estou», estão a abrir-nos o caminho para um acto perfeitamente humano e natural. Desde que utilizado em doses pequenas, claro.

VEJA A ENTREVISTA QUE FIZEMOS ATRAVÉS DO SKYPE:

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