Comportamento de auto toque

postado em: Artigos | 0

Autocontato

Este tipo de gesto acontece quando tocamos o nosso próprio corpo.  Normalmente não prestamos maior atenção nestes movimentos, pois muitos são realizados de maneira inconsciente.

Todavia eles são indicativos confiáveis do estado de espírito da pessoa.

Desmond Morris diz que usamos nosso corpo como se pertencesse a um reconfortante companheiro.

Autores como Ekman chamam estes gestos de adaptadores e Knapp & Hall diz que servem para nos acalmar após alguma coisa que nos incomode.

Como todo gesto, deve ser interpretado dentro de um contexto, e no caso do auto contato existe certa facilidade, pois normalmente todo o corpo se se envolvido na expressão.

O ex-agente do FBI, Joe Navarro os chama de “gestos apaziguadores”, pois visam a pessoa visa a se reconfortar, se acalmar diante de determinadas situações.

Estes gestos podem ser diretos ou descolocados. Como por exemplo, o ato de roer unha ou chupar o dedo. No primeiro caso, o adolescente leva a unha a boca diretamente, mas como o tempo e experiência muitas vezes sabe (até de forma inconsciente) que a mensagem que irá passar não boa; então “desloca” os dedos para a ponta da caneta ou do lápis.

Durante uma entrevista ou dinâmica de grupos, o estudo do auto toque é importante, pois o candidato vai revelar quase que de imediato seu estado e espírito. É natural que aparecem sinais de ansiedade e nervosismo.  O mesmo ocorre em interrogatórios policiais, inclusive quando a pessoa é testemunha ou acusada, neste caso mesmo sendo inocente.

Com um pouco mais de experiência você pode descobrir com bom nível de precisão àquilo que incomoda a pessoa.

Existem centenas de tipos de auto toques, os mais comuns são aqueles em que a pessoa toca na cabeça; ocorre principalmente quando a pessoa está esgotada, cansada etc. Quando a própria mão afaga a cabeça queremos nos acalmar. O gesto muitas vezes nos remete a infância quando apoiávamos a cabeça em nossos pais.

Nos estados de conflitos, estresse e indecisão, parece que nosso pescoço não vai mais conseguir segurar a cabeça, a mão no rosto, no queixo ou na testa, o dedo nos lábios (Morris) são o apoio que nos damos para superar o momento.

Segundo Morris os auto toques mais comuns são os seguintes: apoio no maxilar, no queixo, segura o cabelo, apoio nas bochechas, toque na boca e apoio na têmpora. Esta ordem de frequência ocorre tanto nos homens como nas mulheres. Mas aqui convém notar que existem alguns tipos de toques que são quase que privativos das mulheres, como o abraço das pernas na posição fetal (em adulta) e o toque com as palmas das mãos nas coxas, este sim essencialmente feminino. Morris diz que o auto abraço feminino é, talvez, o modo mais impressivo de criar uma segunda pessoa com o próprio corpo. (a proporção é de 1/19 mulheres que realizam este gesto para cada homem)

Outro gesto de auto contato explicado por Morris que é totalmente feminino é a queixo sobre o ombro. Trata-se de um sinal de submissão e sedução, extremamente convidativo ao homem.

Os lábios comprimidos ou morde um lábio é uma forma de autocontato regressivo que nos remete ao seio materno. Estes gestos regressivos presumem uma infantilização e muitas vezes a pessoa se encontra numa posição de inferioridade.

Cruzar os braços também é um sinal de conforto e uma barreira defensiva. Não tente convencer alguém que se posiciona assim, a pessoa está literalmente fechada para aquilo que o outro diz. A mesmo coisa ocorre quando o seu interlocutor cruza os calcanhares quando você faz a pergunta, a mensagem é “não concordo com o que você está dizendo”.

A utilização de objetos é muito comum, como por exemplo, em vez de roer unhas, a pessoa passa a fumar mais ou roer a ponta da caneta. Abraçar o travesseiro é um gesto apaziguador.

Para Navarro, qualquer tipo de contato com a cabeça, pescoço, ombro,  braços ou pernas em resposta a um estímulo negativo, trata-se de um comportamento apaziguador.

Alguns destes comportamentos muitas vezes se tornam marca registrada da pessoa, diante que qualquer tipo de fato estressante, ela realiza o mesmo gesto – tocar a testa, coçar a orelha etc. Tinha um amigo que normalmente coçava a orelha com a mão contrária quando estava nervoso.

No vídeo o ex-presidente Lula faz um gesto apaziguador quando o Jô Soares está formulando a pergunta.

http://www.youtube.com/watch?v=861uqD3Mz4A&feature=related

As considerações aqui são várias. A pergunta causou estresse e ansiedade, mas não poderia ser diferente, afinal perder um dedo é algo terrível.

Mexer o queixo e na barba é sinal de inquietude e mal estar; dos mais intensos. Dai a necessidade de se acalmar. O que vem depois é saber se inventou ou não a resposta à pergunta. Ou seja, mentiu ou não.

 

Outros gesto de auto toque

Passar as duas mãos no pescoço ao mesmo tempo. Os dedos de tocam na parte de trás. Ansiedade extrema, inquietude e até mesmo desespero diante da situação. Normalmente a pessoa tende a baixar os olhos para não encarar àquilo que está observando. Quando os dedos se entrelaçam na nuca e os cotovelos se unem ao mesmo tempo na frente do corpo, a situação é desespero total, a pessoa acha que não tem saída e se fecha. Alto nível de defensividade. Este gesto é feito em público nas situações de desespero, diante de acidentes ou esportistas que perderam a partida ou jogada por muito pouco.

Somente uma das mãos acariciando o pescoço é sinal de ansiedade e/ou insegurança entre outras interpretações.

 

Colocar a mão no pescoço. Enforcando-se.

Este gesto tem algumas variantes nos quais a gravata masculina é utilizada como meio de atenuar ou ampliar. A pessoa quer se acalmar porque está insegura ou literalmente sufocada. “Quer tirar o nó da garganta”.

Nas mulheres, a gravata é substituída por colares ou outros tipos de adorno.

 

Colocar a mão no peito.

Algumas vezes isto é feito apenas com a ponta do dedo. A pessoa se tocar para se acalmar. Em uma discussão, provavelmente quer se defender e não continuar a brigar.

 

Mãos face

Quando os olhos estão tapados com as palmas das mãos, a pessoa quer se acalmar e o meio que faz para tal é não observar aquilo que acontece a sua frente. O gesto de desânimo diante da situação é ampliado quando ao mesmo tempo em que a pessoa tapa os olhos os cotovelos se apoiam na mesa, ou os braços servem como apoio a cabeça.

 

Nos próximos artigos escrevo um pouco mais sobre estes gestos.

 

 

Deixe uma resposta